Uma nova fórmula de repelente promete combate mais eficiente ao Aedes aegypti e outros mosquitos Pesquisa

quinta-feira, 6 fevereiro 2025
Louhana Rebouças e Thiago Moreira Melo, mãe e filho, inventores do produto.

A inovação foi desenvolvida por pesquisadores da UFC e do IFCE e acaba de garantir sua carta-patente

Uma nova fórmula de repelente com base nos óleos de linhaça e de cravo poderá ser uma grande aliada no combate ao Aedes aegypti e a outros mosquitos. Utilizando-se de nanotecnologia, o invento consegue atuar por mais tempo na pele, mesmo empregando em sua composição uma menor quantidade do princípio ativo contra os mosquitos.

A inovação, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) acaba de garantir sua carta-patente.

A fórmula criada utiliza os óleos de linhaça e de cravo para encapsular o butilacetilaminopropionato de etila, um dos três princípios ativos de repelentes aprovados e reconhecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) contra o Aedes aegypti. O mosquito é o principal vetor dos vírus causadores da dengue, da zika e da chikungunya.

Os repelentes comerciais que usam o butilacetilaminopropionato de etila agregam, em média, de 10% a 20% do princípio ativo em suas composições, alcançando um tempo de ação que costuma variar de 2 a 3 horas. Já o novo invento aplica apenas 5% do princípio em sua fórmula e, ainda assim, alcança uma ação que chega a 5 horas e meia.

Em família

A grande vantagem dessa equação é que ela deve se refletir no preço final do produto. Isso porque os princípios ativos são frequentemente os componentes mais caros de um produto. “Considerando os custos somente da matéria-prima, pode haver uma redução entre 50% e 60% do valor do produto”, projeta Louhana Moreira Rebouças, uma das responsáveis pelo invento. A pesquisadora pondera, contudo, que outros custos de transformação vão compor o preço final do repelente, mas, ainda assim, ele se tornaria mais econômico que aqueles atualmente nas prateleiras.

O IFCE da cidade de Maracanaú depositou a patente, fruto de uma pesquisa que Thiago Moreira Melo desenvolveu no Instituto. Thiago, filho da pesquisadora, contou com a coorientação dela no trabalho. A equipe do Laboratório de Polímeros e Inovação de Materiais da UFC (LabPIM) realizou a síntese e a caracterização da nanoemulsão. O laboratório é coordenado pela professora Nágila Maria Pontes Ricardo, do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica, que orientou Rebouças no mestrado e no doutorado.

A avaliação dos pesquisadores, a composição ainda precisa passar por testes em pele humana, mas os resultados já alcançados foram animadores. “Espera-se confirmar os resultados do laboratório com testes clínicos in vivo”, almeja a pesquisadora, que atualmente realiza pós-doutorado também sob supervisão da professora Ricardo. Esses resultados se tornaram possíveis por meio da rota tecnológica desenvolvida, que tem por base a nanotecnologia.

Liberação controlada

O repelente elaborado trata-se de uma nanoemulsão de 150 a 190 nanômetros de diâmetro, ou seja, possui tamanho microscópico, uma vez que um nanômetro equivale a um milionésimo de milímetro. A nanoemulsão permite uma liberação controlada dos ativos de sua formulação, aumentando, assim, sua eficácia e reduzindo seus efeitos adversos.

No invento, a encapsulação do butilacetilaminopropionato de etila permite o controle de sua liberação, evitando o uso excessivo. A nanocápsula é composta pelos óleos de linhaça e de cravo. “O óleo de linhaça é um óleo formador de filme, o que confere características desejáveis para a liberação de ativos de forma controlada; já o óleo de cravo apresenta conhecida atividade repelente”, explica Rebouças, que é servidora técnico-administrativa do IFCE.

À espera da indústria

Por meio da formulação desenvolvida, que utiliza ainda como estabilizador um gel biodegradável e biocompatível denominado Pluronic F-127, os pesquisadores conseguiram alcançar um ultraprolongamento do tempo de ação do repelente. O próximo passo da pesquisa, portanto, será os testes em pele humana. “A expedição da carta-patente do invento pode ajudar na finalização dos testes in vivo, que podem ser financiados pela indústria cosmética interessada em obter o licenciamento da patente”, torce.

A patente expedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) traz como titulares a UFC e o IFCE. Como inventores, além de Louhana Rebouças, da professora Nágila Ricardo e de Thiago Moreira Melo, também participam Júlio César Rabelo Mesquita Filho, Emília Maria Alves Santos, Caroline de Goes Sampaio e Maria do Socorro Pinheiro da Silva.

Texto e fotos: Agência UFC

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