Estudante cego cola grau na Federal de Alagoas Educação

quarta-feira, 18 dezembro 2024
Solenidade de colação de grau ocorreu na Reitoria (Foto: UFAL)

Apesar da conquista, formando acredita que a instituição precisa avançar muito em acessibilidade

Ao receber o diploma de graduação em Serviço Social das mãos da vice-reitora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), o formando Rinaldo José dos Santos agradeceu à mãe, aos demais familiares e a todos os docentes e técnicos da Universidade que contribuíram com os seus estudos. “Eu não chegaria até aqui se não fossem essas pessoas”, concluiu. A frase, comum à maioria dos estudantes na colação de grau, não é apenas força de expressão. Ele tem 54 anos e é cego.

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A solenidade de colação de grau de Rinaldo foi presidida pela vice-reitora Eliane Cavalcanti, na reitoria da Universidade, onde as vestes talares destacavam a importância do momento. A UFAL antecipou a diplomação para o dia 16 de dezembro devido às condições de saúde de Rinaldo.

Diabetes e cegueira

Para que ele pudesse acompanhar a solenidade, todas as falas da mesa iniciaram com autodescrição, ajudando-o a formar uma imagem do que acontecia. Apesar de ser uma cerimônia com apenas um formando, a Universidade cumpriu todos os ritos acadêmicos e honrarias.

Rinaldo sempre enfrentou desafios desde cedo, quando teve o diagnóstico de diabetes aos sete anos. A doença trouxe diversas complicações ao longo da vida, como problemas renais que exigem diálise constante e, o mais impactante, uma retinopatia que o deixou praticamente cego aos 40 anos.

Com o apoio do Centro Cyro Accioly, referência no atendimento a pessoas com deficiência visual em Alagoas, Rinaldo encontrou estímulo para prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e realizar o sonho de cursar o ensino superior. “Me inscrevi para o curso de Serviço Social na UFAL e fiquei muito feliz com minha aprovação”, relembra ele com entusiasmo.

Os desafios, no entanto, não ficaram para trás. “A UFAL precisa avançar muito em acessibilidade. Não havia material adaptado para mim, e minhas aulas precisavam ser no térreo. Contar com a ajuda de técnicos, professores e colegas foi essencial para chegar até aqui”, contou o recém-formado, destacando as dificuldades enfrentadas durante a graduação.

Acessibilidade

Solenidade teve a presença de autoridades da UFAL e familiares de Rinaldo. (Foto: UFAL)

Durante o curso, o estudante fez questão de contribuir para a melhoria da acessibilidade na universidade. Ele apontou adaptações importantes para que estudantes com deficiência se sentissem mais incluídos. “Rinaldo está se formando hoje, mas deixa uma grande contribuição para a UFAL. Ele integrou o Fórum Permanente de Acompanhamento das Demandas de Acessibilidade. Em março do próximo ano, realizaremos uma audiência pública fruto desse trabalho”, anunciou Alexandre Lima, pró-reitor Estudantil.

A mãe de Rinaldo, Giselda Maria dos Santos, ficou o tempo todo ao lado do filho, visivelmente emocionada e também muito orgulhosa. “Tenho três filhos e foi justamente o que tem a saúde mais debilitada o único que conseguiu cursar e concluir o ensino superior”, disse ela.

Redação Nossa Ciência

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