Squad, um conceito poderoso Disruptiva

quinta-feira, 27 março 2025

O impacto dos squads na inovação e no intraempreendedorismo

(Gláucio Brandão)

Sempre que penso sobre inovação, me vem à cabeça quatro entes, sintetizados na sigla óbvia P2S2: Processo, Produto, Serviço, Startup. No entanto, o que não estava óbvio para mim quando cunhei esse acrônimo era o quê – ou quem – estava por trás do P2S2: uma equipe! “Dê-me um time ruim, e transformarei potenciais inovações em ideias; dê-me uma boa equipe e transformarei ideias em potenciais inovações”, diria GBB-San.

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Esta Aula Condensada (AC) integra o squad ao P2S2, que daqui em diante será conhecido como P2S3. Elemento imprescindível para a promoção da inovação, o squad poderá figurar também como se produto fosse, por ser intercambiável, mutável, “eliminável” e até passível de negociação. Como tudo que é tecnologicamente globalizado, manterei o termo original, pois “equipe” leva a outras conotações. Conheçamos, então, um dos principais elementos do intraempreendedorismo público ou privado.

Conceito de squad

Um squad é uma equipe autônoma e multifuncional composta por profissionais de diferentes áreas que colaboram para alcançar um objetivo comum. Caracterizam-se por sua autonomia, foco em problemas/soluções específicos e forte coesão. São ideais para trabalhar em ambientes incertos e estão no centro de metodologias ágeis, como Scrum e Spotify Model, melhorando a agilidade, adaptação e entrega ao mercado.

Quando o a bronca acontece em uma empresa, o mesmo procedimento deve ser realizado: constituir-se um squad para resolver a celeuma. Um squad, tácita ou explicitamente, leva ao intraempreendedorismo, ou empreendedorismo corporativo, capaz de promover e incentivar a inovação e o comportamento empreendedor dentro de uma organização consolidada, seja ela pública ou privada. Em outras palavras, é quando seus funcionários utilizam habilidades e iniciativas empreendedoras para desenvolver novos P2S2 (aqui sem o “S” do squad) no próprio ambiente corporativo, capaz de levar a avanços significativos, melhorias operacionais e novas oportunidades de negócios para a organização. Se a coisa der muito certo, pode levar a um spin-off (derivação).

Spin-off

Um spin-off é o processo de criação de uma nova empresa a partir de uma organização preexistente, utilizando ativos, tecnologia, processos e pessoal da empresa-mãe. O objetivo é permitir que a nova entidade (o “filhote”) se concentre em um segmento de mercado específico, desenvolva inovações ou aproveite oportunidades que podem não ser mais prioritárias para a empresa original. Uma consequência adicional é que, se as soluções desenvolvidas pelos “filhotes” forem interessantes ou de menor custo, elas podem ser contratadas pela empresa-mãe, funcionando como uma terceirização. Isso reduz custos para a empresa-mãe e fortalece o mercado para a empresa-filial, que pode oferecer seus serviços também para concorrentes da antiga empresa-mãe, sem gerar conflitos de interesse.

Exemplos desse tipo são a Agilent Technologies, spin-off da Hewlett-Packard (1999), focada em instrumentos de medição e análise; a PayPal, originalmente desenvolvida como uma divisão da Confinity, que se tornou uma empresa independente e foi adquirida pelo eBay antes de ser desmembrada novamente. Para mencionar um case genuinamente potiguar e de muito sucesso, temos a ESIG, cujo squad originário da UFRN, criou um sistema de gerenciamento tão potente que hoje está instalado em centenas outras instituições no Brasil e mundo afora.

Aquisição de empresas

Uma aquisição ocorre quando uma empresa compra outra, incorporando seus ativos, operações e equipe. Esse processo pode ocorrer por motivo de expansão de mercado, aquisição de novas tecnologias, ou fortalecimento de capacidades empresariais. Como mencionado, um squad montado em uma instituição (pública ou privada) ao demonstrar um poder de resolução atômico tão impactante, pode atrair a atenção ao ponto de ser negociado como um produto entre empresas.

Dado o nosso atual grau tecnológico, modelar problemas e prototipar soluções, principalmente com a ajuda das GenAI (IA gerativas), tornou-se infinitamente mais barato do que gastar horas com reuniões improdutivas. Referindo-me principalmente às empresas públicas, a próxima ruptura acontecerá quando a cultura de montagem de squads for instalada. Vaticino que a melhoria dos processos aumentará exponencialmente.

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Gláucio Brandão é professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e autor do livro Triztorming

A coluna Disruptiva é atualizada às quintas-feiras

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