Somos humanos PACA Disruptiva

quinta-feira, 6 fevereiro 2025
(Imagem: Canva)

A dependência da sociedade moderna do plástico, amônia, cimento e aço é profunda. Como equilibrar desenvolvimento e sustentabilidade?

(Gláucio Brandão)

Não me referi àquela gíria “bom pacas”, pois é exatamente o contrário! Quis deixar bem clara nossa dependência em relação ao Plástico, à Amônia, ao Cimento e ao Aço. Não sei se bem nessa ordem. Arrumei pra dar esse acrônimo, que eu, pessoalmente, achei bonito pacas… O mais interessante é o que há de comum entre eles, o petróleo (que poderia substituir o “P” do plástico), cuja combustão gera outra “vilã”: as emissões de CO2. Botei entre aspas pois a conotação maléfica depende do “olho” de quem vê. Não acredito que nos livraremos do PACA antes que 50 anos passem, o que vai demorar “PACAramba”. Permitindo-me ou não a brincadeira, a coisa é séria. Assim, vamos ver se há algum resquício de lógica no que escrevo.

Plástico

Alguém aqui conhece algo que não contenha plástico? Citarei algumas áreas: embalagens, construção civil, indústria automobilística, eletrônicos, medicina, móveis e utensílios domésticos, agricultura etc. Se brincar, até o “etc.” é feito de plástico.

A parte não tão boa: a grande maioria dos plásticos é produzida de derivados do petróleo (etileno e propileno). Esses hidrocarbonetos são obtidos de seu refinamento e do gás natural. Segundo a DW (Global Ideas da Deutsche Welle), estima-se que cerca de 99% dos plásticos descendem do petróleo. Existem pesquisas em andamento para desenvolver plásticos a partir de fontes alternativas e renováveis (milho, cana-de-açúcar e outros materiais orgânicos), que visam reduzir a dependência do petróleo e minimizar os impactos ambientais associados à produção e descarte de plásticos, mas ainda estão longe de alcançar a relação benefício-custo do nosso “malvado favorito”.

Amônia

Não vou fazer a mesma pergunta do plástico. Aplicações: refrigeração, produtos de limpeza, síntese de produtos químicos e, vejam só, plástico; e um detalhe pra deixar o economista Thomas Malthus e o vilão Thanos (Marvel) – ambos com aquele pensamento psicopático de exterminar metade dos habitantes, pois seria impossível produzir tanto pra tanta gente – irritados: a principal aplicação da amônia acontece na agricultura, na produção de fertilizantes. Cerca de 80% da amônia produzida globalmente é utilizada para fabricar fertilizantes como ureia, nitrato e fosfato de amônio. Esses fertilizantes fornecem nitrogênio essencial para o crescimento das plantas.

Cimento

A aplicação primordial do cimento se dá na composição do concreto, material amplamente utilizado na construção civil devido à sua resistência e durabilidade. É empregado em estruturas de edifícios, rodovias e pontes, pavimentação, obras marítimas, elementos pré-moldados e acabamentos decorativos. Sua versatilidade permite que seja moldado em diversas formas, que o habilitam a dar estabilidade e suporte às construções. Sua produção e transporte (extração, forno para calcinação, máquinas e por aí vai) envolve, ora vejamos, muito petróleo.

Aço

Esse aqui é moleza pra descrever, tanto que não vou fazê-lo. Além de ter milhões de utilidades parecidas com o plástico, está em, serei redundante, tudo que sustenta e transporta tudo. Deixo pra vocês as aplicações, pois são virtualmente infinitas.

EmPACAdos

A cereja sobre esse bolo químico feito de PACA, tem a forma de um foguete. Sua composição e propulsão (combustíveis sólido/líquido) utiliza PACA com força, para que possamos levar satélites para o espaço e permitir que nos comuniquemos; que nos integremos. Até as IAs gerativas dependem disso. Embora ainda não tenha ouvido falar em foguete elétrico, mesmo o holding-Musk dominando a indústria de foguetes, satélites e carros elétricos, ainda estamos longe de conseguir tal feito. Palpito que a próxima aventura do sul africano seja colar essas três coisas.

A próxima ruptura

Claro que sou contra sujar nossa casa, refiro-me à Terra, pois só temos ela. Mas precisamos do PACA como do ar que respiramos, o que aparenta ser uma contradição: mais PACA menos ar. Precisamos, portanto, ter uma discussão séria e desapaixonada sobre poluição, CO2, ar puro, alimentação, transporte, comunicação, empregos, IA etc., etc., etc., na direção de fazer o desmame do petróleo, o que não será fácil. Vaticino que a próxima jornada humana será calçada pela redução do ouro negro em nossa vida, mantendo ao mesmo tempo um aprimoramento na qualidade de vida. Por enquanto, e por muito tempo, permaneceremos humanos PACA.

Gláucio Brandão é professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e autor do livro Triztorming

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