Covid, cinco anos depois Ciência Nordestina

terça-feira, 1 abril 2025
A coluna Ciência Nordestina foi a primeira a relatar a Covid em 2020 (Foto: Agência Brasil)

Cinco anos após a decretação da pandemia de COVID-19, reflexões sobre impactos na sociedade, ciência e meio ambiente.

(Helinando Oliveira)

Há exatos cinco anos, a Organização Mundial da Saúde decretava a pandemia por COVID-19. Os sinais já eram claros desde as primeiras notícias vindas da China de que a doença se expandiria e afetaria todos nós. Tive a oportunidade de escrever a primeira matéria para o Nossa Ciência já antecipando o quanto a ciência ainda sofreria na luta contra o negacionismo. E o tempo passou, o vírus tomou conta de todo o planeta… Quem pôde ficar em casa, esperou que a ciência chegasse à tão desejada vacina. E a ciência chegou lá.

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No entanto, o caminho foi sinuoso e arriscado. Surgiram a cloroquina, o ozônio, a ivermectina, juntos com o crescimento do movimento negacionista. E tudo ficou ainda mais confuso quando estudos foram comunicados na literatura científica (vale ressaltar que o artigo foi excluído do respectivo jornal). Passado todo este tempo, podemos dizer que voltamos a um novo normal de convivência com a doença, uma vez que desde 2023 a OMS decretou o fim da COVID-19 como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, todavia permanecendo como um vírus que ainda mata e leva a população aos leitos de hospitais.

O que aprendemos com a pandemia?

Passado o marco de uma data que afetou a vida de todos os seres humanos no planeta, vale uma reflexão: o que a nossa espécie aprendeu com a pandemia?

Enquanto estávamos isolados e preocupados com os números de casos da doença, imaginávamos e até romantizávamos que a humanidade sairia mais forte deste episódio, respeitando mais a natureza e vivendo de modo mais sustentável. Ledo engano, em pleno 2025 vivemos um período de relações internacionais extremamente tenso, em que os conflitos na Ucrânia e Palestina parecem ser o estopim do que pode ser mais uma grande guerra mundial. Meio ambiente? Eles decidiram queimar o petróleo até a última gota, trocando metais preciosos por proteção militar.

Na educação, o ensino remoto promoveu estragos profundos na formação de estudantes de todos os níveis, comprovando que a versão original de estudante na escola e sem aparelho celular no rosto ainda é a melhor solução. Um desinteresse generalizado em cursos tradicionais como as engenharias pode ser visto como sendo uma sequela que foi acelerada por todo esse processo. As redes sociais nos deixaram mais isolados. Cresceu a aporofobia. Ufa! Legado da covid? Não. Algo tão terrível não poderia deixar legados. Só estragos.

Ter otimismo é possível?

Mas já dizia Renato Russo: “A humanidade é desumana, mas ainda temos chance…”

Queria ter neste momento o otimismo de nosso herói. Tudo o que podemos prever é que, neste ritmo de destruição ambiental, em breve uma nova pandemia bate em nossa porta. E depois outra, e mais uma.

O que fazer? Ser passarinho e tentar apagar o incêndio carregando água no bico e lançando nas árvores em chamas. Lute pela natureza, pela ciência, defenda os animais e as pessoas. Seja humano. One health, one world. A saúde de todos em nossa casa única importa.

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Helinando Oliveira é físico, professor titular da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e atualmente é vice presidente da Academia Pernambucana de Ciência

A coluna Ciência Nordestina é atualizada às terças-feiras

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