Óleo de tilápia para cosméticos e tratamentos dermatológicos Pesquisa

quarta-feira, 2 abril 2025
Camila Peixoto do Valle e Nagila Ricardo Silva.

Pesquisadoras da UFC desenvolveram óleo inovador, utilizando nanotecnologia para aplicações cosméticas e farmacêuticas.

A tilápia (Oreochromis niloticus) vem ganhando importância na medicina devido às inúmeras aplicações de sua pele em tratamentos inovadores de queimaduras e ulcerações, em cirurgias de reconstrução vaginal, na redesignação sexual e na veterinária. Entretanto, as vísceras desse peixe ainda são descartadas sem uma destinação sustentável, agravando o problema, especialmente no Brasil, que ocupa a quarta posição entre os maiores produtores mundiais da espécie.

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Pesquisadoras da Universidade Federal do Ceará (UFC) criaram um óleo com propriedades hidratantes e restauradoras para pele e cabelos. O produto utiliza nanotecnologia para aumentar a eficácia e reduzir reações adversas, aproveitando o óleo extraído dessas vísceras. Recentemente, a invenção recebeu a carta-patente e avança no processo de registro e comercialização.

Camila Peixoto do Valle desenvolveu esse produto em sua tese de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Química (PPGQuim), sob a orientação da professora Nágila Maria Pontes Ricardo Silva. O grupo também conta com as pesquisadoras Tamara Gonçalves de Araújo, Bianca Oliveira Louchard, Laysa Nobre Almeida e Antonia Flávia Justino Uchoa.

Solução eficiente na saúde da pele

Os testes in vitro confirmaram que o óleo e suas formulações, ao utilizarem nanotecnologia, distribuem bioativos de maneira eficaz nas camadas internas da pele.

“Os resultados mostram que o óleo de tilápia oferece uma alternativa inovadora e eficaz para o cuidado capilar e para soluções mais eficientes na saúde da pele”, afirma a professora Nágila Ricardo Silva, em entrevista para a Agência UFC.

Os testes in vitro confirmaram que o óleo e suas formulações, ao utilizarem nanotecnologia, distribuem bioativos de maneira eficaz nas camadas internas da pele (epiderme e derme). Dessa forma, o produto se mostrou capaz de superar um dos principais desafios dos cosméticos e fármacos: a penetração cutânea.

As vísceras da tilápia possuem alto teor de óleo e baixo valor nutricional, o que as diferencia de outros peixes, como o salmão, na indústria alimentícia. Por isso, o óleo de tilápia recebe diversas aplicações, como emoliente para tinturas ou impermeabilizante. No entanto, grande parte da produção ainda é descartada inadequadamente, poluindo aquíferos e aterros sanitários e causando danos ambientais. “Reaproveitar esse óleo em uma nova rota produtiva representa uma solução sustentável e eficiente, permitindo sua reintegração à cadeia produtiva”, destaca a professora.

Inovação

O invento desenvolveu um novo processo de extração do óleo, inovando ao eliminar previamente a vesícula biliar do conteúdo visceral e associar congelamento e aquecimento a baixa temperatura para a extração. Além disso, as pesquisadoras incorporaram técnicas de purificação que garantem um produto clarificado e sem odor, ideal para uso cosmético.

Método de extração do óleo das vísceras da tilápia facilita o escalonamento da produção em larga escala.

Camila do Valle explica que o método de extração do óleo das vísceras da tilápia é semelhante aos processos utilizados na indústria para obter óleos de outras matérias-primas. “Essa similaridade facilita o escalonamento da produção em larga escala. Além disso, considerando a alta produção de tilápia e o consequente volume de resíduos gerados, há um grande potencial para o reaproveitamento desse subproduto de forma eficiente”, relata a pesquisadora.

Além do uso cosmético, o óleo também poderá atuar como nanocarreador para a indústria farmacêutica. “Um nanocarreador é uma estrutura muito pequena, criada para transportar substâncias, como medicamentos ou nutrientes, até um local específico do corpo. Ele é feito usando técnicas que reduzem o tamanho das partículas para uma escala nanométrica, como as ondas ultrassônicas”, explica do Valle.

Nanotecnologia

Sistema proposto melhora a resposta imunológica e minimiza os efeitos colaterais comuns dos sistemas tradicionais.

A pesquisadora esclarece que, em terapias convencionais, a concentração do medicamento no sangue sobe até atingir um pico e depois diminui, exigindo novas doses para manter os níveis adequados. Essa oscilação pode causar efeitos adversos, pois altas concentrações podem gerar toxicidade, enquanto as baixas podem ser ineficazes e induzir resistência ao fármaco. “Em contraste, sistemas nanoestruturados, como o que propomos para o óleo da tilápia, mantêm a concentração do ativo estável dentro da faixa terapêutica, aumentando o índice terapêutico, melhorando a resposta imunológica e minimizando os efeitos colaterais comuns dos sistemas tradicionais”, argumenta.

A professora Ricardo Silva informa que o estudo encontra-se na fase de ajustes na formulação e na realização de testes toxicológicos rigorosos, fundamentais para garantir a segurança e a qualidade do produto. “Assim que finalizarmos essa etapa crucial, estaremos prontos para iniciar o processo de registro e avançar para a comercialização. Com esse progresso, reforçamos nosso compromisso em levar ao mercado uma solução inovadora e confiável, contribuindo para atender às necessidades da comunidade com excelência”, projeta.

Ela também acredita que a concessão da carta-patente e a divulgação do invento podem atrair investidores, facilitar parcerias e abrir oportunidades para expansão em novos mercados.

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Todas as fotos são da Agência UFC

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